domingo, 25 de setembro de 2011

2 - A influência do nacionalismo nas revoluções do século XIX

O nacionalismo foi uma ideologia surgida após a Revolução Francesa e teve uma grande influência na organização política de muitos estados durante todo o século XIX. A origem do nacionalismo prende-se com a Revolução Industrial e o capitalismo surgidos nos finais do século XVIII em alguns países da Europa e o seu conseqüente desenvolvimento econômico levou a que outros países almejassem alcançar as mesmas vantagens econômicas e políticas. Segundo alguns autores, a ideologia do nacionalismo serviu para mobilizar outros países na criação de circunstâncias políticas que levassem ao desenvolvimento econômico e material através do capitalismo. Este processo veio a verificar-se também durante o século XX, na redefinição das fronteiras, posteriormente ao fim da Primeira e das Segundas Grandes Guerras, em que algumas nações deram origem a novos países. Os movimentos nacionalistas estão ligados tanto a facções políticas de esquerda como da direita, tendo dado origem a regimes fascistas na Europa mais também a movimentos autonomistas tanto em África como na Ásia.
O nacionalismo, embora mais concentrado nas identidades históricas e culturais dos povos, foi também usado pelos setores pró-racistas para sustentar as diferenças étnicas que estiveram na base dos movimentos fascistas, neofascistas ou os setores nacionalistas conservadores que defendem certas formam menos radicais de racismo. As ideologias racistas alegam certas relações entre características biológicas reais ou induzidas das "raças" com as diferenças culturais e históricas dos povos.
A distinção entre nação e estado é pertinente dado que dentro de um mesmo estado podem coexistir diferentes nações como é o caso, por exemplo, de Espanha, com o País Basco e a Catalunha. Existem nações que não estão organizadas política ou institucionalmente mais que podem ser consideradas nações pelo fato de tradicionalmente partilharem um sentimento de identidade nacional, como é o caso de muitas nações inseridas na grande maioria dos estados africanos.
  • O caso da Grécia:
Nacionalismo a., apesar de terem certas características em comum para todas as nações, varia.
Na sua forma de nação para nação e de tempos em tempos. A idéia da nação grega
Surgiu no final de seculo xviii
Século na mente de um pequeno grupo de intelectuais e tem,
Desde então, não só foi difundido ou imposto sobre a população, mas também mudou
Seu significado, tipo e natureza ao longo dos xix
E parte dos Séculos xx
Enquanto prestando atenção excessiva ao "objetivo" estruturas sociais e
Condições, os cientistas sociais muitas vezes marginalizar a importância da definição por.
Subjetiva de valores e idéias que determinam, não dos povos condições, mas seus objetivos,
Motivações e propósitos.
Importante para entender o comportamento social do que as condições materiais e não pode ser derivado
Ou deduzida a partir destas.
O nacionalismo é uma forma de consciência, uma forma de entender a identidade e
As próprias metas fundamentais. É tanto uma visão de mundo, a definição da natureza da perore.
  • A influência das idéias nacionalista nas revoluções de 1830 a 1848

Até 1830, os movimentos nacionalistas confundiam-se com os anti-absolutistas, uma vez que lutavam contra um inimigo comum: o Governo da Restauração que, no Congresso de Viena de 1815, ao procurar repor a situação política e geográfica existente antes de 1789, passa por cima das aspirações à independência e da unidade que havia levado os povos a unirem-se contra Napoleão e a pôr-se ao lado dos seus soberanos. De facto, a supressão tanto do sentimento nacional como dos princípios do liberalismo (duas grandes marcas da Revolução Francesa) leva à acção conjunta dos Movimentos Nacionalistas e dos oposicionistas à Santa Aliança.
Este duplo caracter está patente nas Revoluções de 1830. Nos países onde triunfam (o caso da Bélgica é inequívoco), instituem a independência e proclamam a liberdade, dotando, no exemplo acima referido, o novo país de uma constituição liberal. Assim, até 1830, o liberalismo é a ideologia que está por detrás do fenómeno nacional.
De 1830 a 1848/50, a grande diferença é que o nacionalismo passa de uma ideologia liberal para uma ideologia democrática. Nestes quase vinte anos, os movimentos de tipo nacional são conduzidos por uma ideologia democrática, em quase toda a parte. Esta conjunção entre democracia e o nacionalismo alarga-se com as revoluções de 1848, que representam simultaneamente a emancipação nacional e a afirmação da soberania do povo.  
Há, em 1830, uma divisão do movimento geral a favor da revolução, cujo principal resultado são os movimentos conscientemente nacionalistas. Por esta altura, os movimentos de ‘juventude’ inundam a Europa ­­_ «Jovem Itália, Jovem Alemanha, Jovem Suíça, Jovem Polónia»_ todos com inspiração em Mazzini, o ideólogo nacionalista. Estes movimentos têm apenas uma importância enquanto símbolos, na medida em que representam a fragmentação do movimento revolucionário europeu em sectores nacionais. Cada um destes movimentos tinha ainda a aspiração de representar para os restantes o papel de salvador, de um messias. Aspiravam a ter o mesmo papel que Paris teve, outrora, como inspiradora das revoluções baseadas na Revolução Francesa. No entanto, olhar para uma vaga ‘Itália’, uma vaga ‘Polónia’ ou ‘Alemanha’[1][1][3] não fazia sentido a não ser para italianos, alemães ou polacos, mesmo porque estes movimentos eram representados por conspiradores emigrados.
É também a partir da década de trinta que o nacionalismo reflectirá o apoio de forças poderosas que vinham adquirindo consciência política desde a dupla revolução (francesa e industrial): elementos descontentes da pequena nobreza e proprietários menos abastados e uma classe média e mesmo média inferior que iam surgindo em vários países. Estes tinham como porta-vozes os intelectuais das profissões liberais. O papel importante da pequena nobreza encontra-se bem exemplificado nos casos da Polónia e Hungria. Aqui, o estado da nobreza é miserável e tinham como concorrentes os poderosos magnatas e burgueses que detinham o dinheiro. Apesar de terem confundido a sua oposição, descontentamento e ambição a cargos influentes com interesses nacionalistas, tiveram um papel importante. Por oposição, as classes comerciais que ascendem socialmente nesta altura, não são tão nacionalistas, mesmo apesar de, na Alemanha, uma união aduaneira (Zollverein) Ter sido capaz de produzir um sentimento autêntico de unidade nacional. Por outro lado, os núcleos industriais que só agora se estavam a desenvolver preferiam de longe os grandes aos pequenos mercados que futuras independências nacionais pudessem trazer. Isto levou a que os industriais polacos pedissem o apoio do Império Austríaco contra os alemães.
As grandes forças do nacionalismo das classes médias são os intelectuais, as camadas administrativas, enfim, os educados. Por isso, podemos considerar o aumento do número das escolas e das universidades como um reflexo do crescimento do nacionalismo. Apesar de aumentar , o número de estudantes continua a ser muito baixo, mas não impede que ganhem uma espécie de consciência como grupo social.
Depois da crescente importância que os estudantes e a escola alcançam, o próximo grande passo para o movimento nacionalista é a imposição de uma língua nacional. Este, um dos factores mais importantes do nacionalismo, é alcançado a partir do momento em que se dá a emissão de jornais na língua oficial, e que se começa a utilizá-la para fins oficiais _ na década de 30/40. Apesar de serem poucos os países que se podem considerar letrados ( Alemanha, Holanda, Escandinávia, Suíça, Estados Unidos da América), nesta época começam a aparecer obras literárias escritas na língua nacional _ alemão, polaco, etc.
O nacionalismo, todavia, não se podia considerar um movimento de massas a não ser nos países já atingidos pela dupla revolução: França. Inglaterra e, por dependência económica e política desta, a Irlanda. Ainda para mais, o facto dos instigadores do movimento nacional serem da classe média provocava desconfiança no campesinato, os pobres. Antes de 1848, o único movimento nacionalista que se pode dizer que tivesse o apoio das massas foi o do irlandês O’Connell, que conseguiu despertar nas massas um sentido de política _ foi muito ajudado pela participação da Igreja Católica a favor da Irlanda. No entanto, o objectivo de O’Connell era apenas uma autonomia moderada e não a independência (chegou a ter hipóteses de levantar toda a Irlanda contra a Inglaterra, mas recusou-se deliberadamente).
Fora do âmbito do mundo burguês moderno, havia movimentos de revolta popular contra o domínio estrangeiro (frequentemente por serem de uma religião diferente e não por serem de uma nacionalidade diferente), que viriam a originar conflitos nacionalistas _ é o caso do Cáucaso contra o Império Turco. No entanto, quase nenhuma destas revoltas populares tradicionalistas foram bem sucedidas. O único movimento que uniu os «clãs de pastores» e os «bandoleiros» com os ideais liberais da Revolução Francesa foi o que procurou _ e foi bem sucedido_ a independência grega do Império Otomano (1821-30). Por ter sido bem sucedida, esta luta tornou-se num mito inspirador para os movimentos nacionalistas por todo o lado.
Nos países da Europa Oriental existia uma espécie de proto-nacionalismo, mas desviou-se para o conservadorismo e não para a rebelião.
Fora do continente europeu, o nacionalismo foi levado para o Oriente pelas tropas napoleónicas. No caso da América Latina, os Impérios Português e Espanhol deram origem a variadas repúblicas, sem que no entanto, se possa dizer que sejam resultado de fervor nacionalista. Constituídas na década de 20 (em 1825 já toda a América Latina era independente), estas repúblicas começam, em 1830, a ter ambições territoriais e interesses políticos constituídos. As revoluções latino-americanas foram obras de pequenos grupos de aristocratas, soldados e indivíduos evoluídos, deixando a população branca, pobre e católica passiva e a população nativa hostil ou indiferente. Não se pode dizer que haja mais do que um embrião de «consciência nacional».
No entanto, após o sucesso relativo alcançado pelas revoluções de 1848, tanto a criação do Parlamento de Frankfurt e consecutiva criação da ‘Grande Alemanha’, como a proclamação de uma república na Hungria por Kossuth, ou ainda a instituição de democracia em Roma, todos os actos daí resultantes foram alemão

  • O nascionalismo na unificação alemã e italiana
  • Unificação alemã
Econômico e social dos Estados germânicos, especialmente da Prússia. A Áustria, que havia impedido a unificação tentada pela Prússia em 1850, não conseguiu impedir o progresso de seus Estados, alcançado graças ao Zollverein, a liga aduaneira adotada em 1834. De 1860 a 1870, distritos industriais e centros urbanos surgiram em várias regiões; as estradas de ferro passaram de 2 000 para 11000 quilômetros; as minas de carvão e ferro permitiram o cresci­mento das indústrias siderúrgicas, metalúrgicas e mecânicas. Formava-se o complexo industrial alemão. Percebendo a ameaça a seu poder, a Áustria tentou em vão fazer parte do Zollverein.
Na Prússia, a burguesia tentou controlar as despesas reais, criando um conflito político que durou até 1861, quando o rei Guilherme I convidou Bismarck para ministro. Ele era antiliberal, pró-monarquia e contra o poder da burguesia, mas devotado à causa da unificação.
Bismarck achava que a unidade alemã deveria ser obtida pela força, através de uma luta contra a Áustria. Por isso, organizou militarmente o Reino da Prússia. Os burgueses se negaram a aprovar o aumento do tempo de serviço militar obrigatório e a elevação dos impostos, para financiarem mais contingentes militares. Com aprovação apenas da Câmara dos Nobres, Bismarck passou a governar despoticamente e transformou o exército em instrumento da unificação alemã. Explorando os desacertos internacionais, venceu por etapas a Dinamarca, a Áustria e, finalmente, a França.
  • Unificação italiana
    A configuração político-territorial da Itália, no início de século XIX, sofreu grande intervenção por parte das medidas firmadas pelo Congresso de Viena de 1814. Com os acordos consolidados, a atual região da Itália ficou dividida em oito estados independentes, sendo que alguns deles eram controlados pela Áustria.

    Nesse mesmo período de recondicionamento da soberania monárquica, movimentos nacionalistas afloraram em diferentes partes da Itália. Ao mesmo tempo, as motivações e projetos desses grupos nacionalistas eram bastante variados. Envolvendo grupos de trabalhadores urbanos e rurais e alcançando até mesmo a burguesia nacional, o Ressurgimento manifestava-se em ideais que passavam por tendências republicanas e, até mesmo, monárquicas.

    Outra interessante manifestação nacionalista também pôde ser contemplada com o aparecimento dos carbonarios. A ação dos carbonários se estabeleceu ao sul da Itália sob a liderança do comunista Filippo Buonarotti. Lutando contra a ação dos governos absolutistas, o carbonarismo foi um dos mais importantes movimentos nacionalistas de bases popular da Itália.

    Em 1831, Giuseppe Mazzini liderou outro movimento republicano representado pela criação da Jovem Itália. Mesmo não obtendo sucesso, o nacionalismo italiano ainda teve forças para avivar suas tendências políticas. No ano de 1847, uma série de manifestações antimonárquicas tomou conta da região norte, nos reinos de Piemontês e Sardenha, e ao sul no Reino das Duas Sicília. No Reino da Lombardi consolidou-se um dos maiores avanços republicanos quando o rei foi obrigado a instituir um Poder Legislativo eleito pelos cidadãos.

    Mesmo com a agitação dessas revoltas, a presença austríaca e o poder monárquico conseguiram resistir à crescente tendência republicana. Só com o interesse da burguesia industrial do norte da Itália, politicamente patrocinada pelo primeiro-ministro piemontês Camilo Benso de Cavour, que o processo de unificação começou a ter maior sustentação. Angariando o apoio militar e político dos Estados vizinhos e do rei francês Napoleão III, em 1859, a guerra contra a Áustria teve seu início.

    Temendo a deflagração de movimentos de tendência socialista e republicana, o governo Francês retirou o seu apoio ao movimento de unificação. Ainda assim, Camilo de Cavour conseguiu unificar uma considerável porção dos reinos do norte. Nesse mesmo período, ao sul, Giuseppe Garibaldi liderou os “camisas vermelhas” contra as monarquias sulistas. Para não enfraquecer o movimento de unificação, Garibaldi decidiu abandonar o movimento por não concordar com as idéias defendidas pelos representantes do norte.

    Dessa maneira, os monarquistas do norte controlaram a unificação estabelecendo o rei Vítor Emanuel II. No ano de 1861, o Reino da Itália era composto por grande parte do seu atual território. Entre 1866 e 1870, após uma série de conflitos, as cidades de Veneza e Roma foram finalmente anexadas ao novo governo. A unificação da Itália teve seu fim no ano de 1929, quando após anos e anos de resistência da autoridade, o tratado completou a formação da nação italiana.

    Apesar de representar uma luta histórica ao longo do século XIX, a unificação italiana não conseguiu prontamente criar uma identidade cultural entre o povo italiano. Além das diferenças de cunho histórico, lingüístico e cultural, a diferença do desenvolvimento econômico observado nas regiões norte e sul foi outro entrave na criação da Itália.

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário